Se Achando no Tempo


Um dia tirei o relógio.

Mergulhei na imensidão da vida e simplesmente, me perdi no tempo.

Não havia necessidade dentro de mim, de fazer nada, além de viver.

Na verdade, apenas sobreviver já estava bom.

Às vezes, acho que nem isso queria mais.

Foi um desligar-se por completo.

Não queria fazer parte desse mundo.

Porém, um dia, consegui levantar da cadeira, abrir a porta de casa, e sair.


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Foi o dia em que eu vi a agenda.

Como um filme, ela passava em minha mente, uma série de compromissos que eu nunca imaginei ter …

Na verdade, imaginei … mas os esqueci tão completamente … que pensei até, que não existissem mais.

Mas eles estavam lá … todos os meus sonhos … um por um … e de repente … BOOM.

Como uma enorme explosão, uma estranha sensação invadiu todo meu corpo, a ponto de eu dar um enorme grito: LIBERDADE !!!

E com o grito, a silenciosa voz que a todo dia falava comigo, se calou.

E aquela que acabara de gritar LIBERDADE por mim, usou minha própria boca novamente para dizer:

Vai agora … porque agora, você é um ser humano livre.

E sua hora de entrar no mundo, chegou.

E eu fui … e por isso cheguei até aqui.

Mas antes de ir, apesar de toda energia que me impulsionava para fora daquela casa, eu ainda consegui perguntar àquela forte e firme voz que acabara de me desacorrentar de minhas próprias amarras, qual era seu nome.

E ela me disse: eu sou a sua coragem … meu nome, fica a seu critério.

Paul Sampaio – 20 de outubro de 2015 – 15:25 / 35º C


Coragem


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