Eis a doença que é capaz de nos fazer sofrer como poucas coisas no mundo, mas que de repente, nos ajuda a inventar o avião. Que o diga Santos Dumont. Apesar de ter se matado em uma crise de depressão, deixou um legado singular na Terra e fez com seu trabalho, a alegria de muitos de nós. E visto que ninguém quer ter o mesmo destino, precisamos entender mais sobre ela – a bipolaridade.
 
O importante é ter sempre em mente que nós bipolares, podemos assumir o controle de nosso humor, tornando a fase depressiva em maníaca ‘saudável’ em poucas horas. Todavia, isto só poderá acontecer, depois de aprendermos a lidar com esta psicose, esse transtorno, esse distúrbio.
 
♦ A medicação e a terapia são insubstituíveis, mas observe também outros pontos.
 
Estudar tudo o que existe à respeito do assunto, não é sugestão, é obrigação. Muitos se tornaram compulsivos com comida, álcool, drogas, compras, jogos, sexo, mas outros não. Muitos se mataram por causa da depressão, mas outros não. Enfim, sempre tivemos aqueles exemplos em que o paciente ganhou a guerra. Pessoas que aprenderam a dizer: “aqui quem manda sou eu.’
 
Quando você estiver na fase maníaca ‘saudável’ (trabalho, estudo, hobbies), aproveite, sorria, afinal é através dela que realmente vivemos. Aprenda a terminar seus projetos inacabados ao invés de começar outro e mais outro. Saiba dar o início, o meio e o fim aos seus trabalhos, e você inevitavelmente conquistará a autorrealização que tanto almejava. Nossa tendência em abandonar batalhas antes do fim, pode ser vencida. É só lembrar que você, sempre está submetido a uma psicose, mas que é você quem manda nela, e não o contrário.
 
Nunca chore ou use sua dor para adiar decisões ou tarefas, e nunca reclame para os outros sobre sua situação. Use o sofrimento como alimento e saia trabalhando. Sejam apenas 8, 14, 18 ou até 24 horas seguidas, não importa, Trabalhe com todas suas forças. Saia semeando, afinal, amanhã, o jardim terá seu nome.

 
Se a vontade de comer, dormir e trabalhar não aparecem, a culpa não é sua. A disciplina inalcançável que tanto procuramos, talvez nunca tenhamos mesmo. Tudo o que podemos fazer é lutar contra as vontades ruins e adquirir um ‘modos operandi’ só nosso. Já sabemos que a felicidade não é deste mundo, mas que a FORÇA DO PENSAMENTO é. Use-a. Procure o equilibro, dome os excessos da fase maníaca, e aos poucos, você até parecerá normal. Apesar de ser absolutamente extraordinário.
 
Viver sem a depressão e sem a fase maníaca, é impossível. Mas o equilíbrio emocional para aproveitarmos melhor toda a intensidade maníaca sem cair em uma nova época depressiva horrível, é perfeitamente alcançável.
 
Remédio, terapia, espiritualidade e uma força de vontade de outro mundo resolvem isso. Mas é preciso saber mandar em si mesmo. Não espere a vontade maníaca chegar. Ordene a você, que você quer sair da depressão. Você também tem esse poder. Acredite.
 
♥ Existem mais canhotos do que bipolares no mundo (eu sou os dois). Realmente somos poucos. Contudo, temos vantagens que precisamos aproveitar.
 
Enquanto uma pessoa normal, geralmente se cansa depois de 8 horas de trabalho, o bipolar é capaz de trabalhar 16, sem sentir sono ou fome. Parecemos máquinas ligadas no 220 volts. Aqueles que aprendem a tirar da doença seus proveitos, conseguem se tornar pessoas muito bem sucedidas.
 
Nossa grande desvantagem? Ao invés de trabalhar as 16 horas sem parar, podemos em momentos de depressão, ficar no quarto trancado por anos, chorando no travesseiro porque não temos vontade de fazer nada, enquanto diversas pessoas não-bipolares ao nosso redor, crescem em todos os sentidos.
 
♠ Então, o que vamos ser hoje e amanhã? O chorão ou a inteligência produtiva?
 
Se você é um bipolar também, você sabe perfeitamente que somos 8 ou 80. Não nascemos para a mediocridade. Temos que ser um ou outro, porque no meio, jamais estaremos. Conhecemos este lugar onde acontecem as fases mistas, com depressão e mania ao mesmo tempo. Uma zona de confusão, letargia e inércia inexplicáveis. Um lugar perigosíssimo para nós, mas que é almejado por todos nossos familiares e amigos, que gostariam de nos ver como as pessoas normais são, coisa que não somos e jamais seremos.
 
♪ Posto isso, eu lhe pergunto: o que você prefere? Seria por acaso nenhum, a fase sem depressão e de alta produtividade?
 
Então, ache forças e levante para o mundo. Só você pode alterar os ciclos. Se necessário, vá para um canto sozinho e grite aos ventos: “Saia depressão. Eu escolho viver sem você. Parta e não regresse nunca mais. Eu quero a mania de volta.”
 
Só que a mania, também não é o céu. A gente começa alegre, falador, autoconfiante, inteligente, criativo, mas com a elevação progressiva do humor e a aceleração psíquica, a doença pode tomar conta. Temos que aprender a reprimir o exagero, da mesma maneira que fazemos sorrisos quando não queremos mostrar para os outros que estamos deprimidos.
 
A mania pode causar coisas horríveis, que merecem algumas linhas cheias de sintomas.
 
Dependendo do caso, podemos apresentar: pensamentos acelerados, fala muito rápida, com mudanças frequentes de assunto. Interpretação errada de uma série de acontecimentos, irritação com pequenas coisas. Aumento de interesse em diversas atividades, começando trabalhos e não terminando. Despesas excessivas, dívidas. Aumento do amor próprio chegando à megalomania, sentindo-se mais poderoso do que os outros. Incapacidade em reconhecer a doença e tendência a recusar o tratamento, culpando os outros por nosso comportamento (como fazemos também na fase depressiva). Compulsividade em tudo, um genuíno obsessivo-compulsivo, seja no trabalho, estudo, álcool, drogas, jogos, compras, sexo.
 
É. Podemos ser até, maníacos por sexo. Daí o apelido para psicopatas como o ‘Maníaco do Parque’, um assassino sem empatia pelas pessoas, e também, maníaco sexual. Deveria ser chamado de ‘Psicopata do Parque’, porque estupra e mata. Contudo, não podemos esquecer que homicidas estupradores em série não conseguem parar, por causa de uma mania.
 
Ser maníaco não é ser psicopata, preste atenção. São duas coisas totalmente diferentes. Porém, toda mania, assim como a depressão, sem um breque (medicação e terapia), pode causar graves danos, levando-nos a ter delírios, loucura e até, a cometer o suicídio. Apesar de acontecerem em menor número do que na fases depressivas, algumas atitudes na fase maníaca, podem levar à morte sim.
 
Émile Durkheim tipificou em 1897 alguns tipos de suicídio, e na literatura da Psicologia, também teremos algumas divisões e conceitos para o suicídio, mas eu particularmente, os nomeio de uma maneira diferente, para auxiliar a minha atenção, em relação a dois tipos principais. Assim, os suicídios da fase maníaca, eu chamaria de suicídio gradativo (tabaco, álcool e drogas), e o suicídio programado ou quase-inevitável. Um suicídio velado, com a intenção escondida. O melhor exemplo para estes casos, é a mania pelo perigo, pelo risco de perder a vida. Como nas profissões e esportes tão radicais onde ninguém jamais chega à velhice. Por isso, ao escolhermos abraçar a fase maníaca, precisamos sempre lembrar que todo cuidado é pouco.
 
Sou obrigado a admitir que nosso lado bom é medonho, mas ainda assim, é bem melhor do que a lista de sintomas da depressão, que eu prefiro deixar para o artigo dos especialistas que vem a seguir.
 
Logo, precisamos aprender a domar a mania, já que com a depressão, não tem conversa. Com ela, não queremos conviver. Já com a mania, até que conseguimos trabalhar, e bem até. Sabendo dirigi-la para o trabalho e para o estudo, e não para coisas ruins, podemos ser excelentes pessoas para nós mesmos e para o mundo. Em outra oportunidade, falarei sobre as fases mistas, onde a depressão e a mania acontecem ao mesmo tempo, e apresentamos sintomas de ambas, sem saber ao certo, qual das duas coisas está acabando com a gente. Mas por hora, vamos direto para nossa opção principal como bipolares.
 
♣ A vida se faz de escolhas e não de doenças. As patologias só existem para nos ensinar a escolher melhor. Sendo assim, escolha: aceitar ou mudar.
 
A bipolaridade, precisamos aceitar. A inatividade e a tristeza, nunca. Precisamos mudar nosso humor nessas horas, e para isso, teremos que criar, como em uma mágica, o botão de trocar o ciclo, e inverter de depressão, para o que iremos chamar agora de, mania saudável.
 
E para ajudar, que tal uma prece para Deus, na maneira como você o concebe, seja você católico, evangélico, espírita, budista, islâmico … Ou até mesmo ateu. Bem porquê, esse não é um espaço de fanáticos religiosos, logo, não fará mal nenhum.
 
“Concedei-nos Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir uma das outras.”
 
☺ Esta é a ‘Oração da Serenidade’, que inicia e termina todas as reuniões de alcoólicos e narcóticos anônimos em mais de 150 países.
 
Os alcoolistas e dependentes químicos que frequentam estes dois grupos de apoio, são orientados a deixarem suas vontades nas mãos de Deus, na maneira como cada um o concebe, depois de reconhecerem que não têm mais controle sobre si mesmos e são impotentes perante ao álcool e às drogas (use isso com a depressão). Este subterfúgio mental, essa manobra feita na mente, ajuda a recuperar milhares de viciados no mundo. Muitos ateus tiveram um encontro com a fé, através deste pensamento, que não precisa de igreja ou religião alguma para existir. Basta pensar em um Poder Superior a nós. E isso é fácil.
 
No momento de falar a palavra ‘Senhor’, durante a prece, você pode perfeitamente trocar por qualquer entidade que você sentir conforto, e que lhe propicie boa concentração para ativar sua percepção para as energias de outros mundos. Seja um Deus ou um ser humano especial que viveu entre nós. Você pode dizer Deus, Deusa, Amparadores, Seus Ancestrais, Alá, Buda, Maomé, Jesus, Santa Clara, Santo Antônio, Deusas e Deuses Nórdicos ou do Olimpo … O que você preferir. Afinal, tudo levará para o mesmo lugar – sua capacidade consciencial de intuir e se comunicar com os outros lados da vida, onde a carne e a matéria não chegam. O que importa, é sua concentração e uma intenção verdadeira, ao buscar essa conexão com o Sagrado.
 
A ajuda que vem dos campos invisíveis, das dimensões paralelas da consciência humana, onde todos nós ficamos temporariamente entre uma vida e outra, é essencial. Se você não souber se comunicar com sua equipe extra-sensorial, se não souber orar ou rezar, aprenda.
 
▲ Abraham Maslow deixou um estudo que mudou para sempre nossa concepção sobre as necessidades que um ser humano precisa satisfazer para sentir-se bem, completo, resolvido.
 
Ele criou uma pirâmide para as necessidades humanas com cinco camadas, e colocou em sua base, as necessidades fisiológicas (sobrevivência, respiração, repouso, alimentação, hidratação, sexo). Na segunda camada, que ele chamou de necessidades de segurança, temos as últimas coisas sobre necessidades básicas humanas que aprendemos nos livros didáticos (autopreservação, proteção física, abrigo, estabilidade, conforto, saúde). Daí para frente, ninguém mais nos ensina à respeito, nem na escola e nem na família. Estes conhecimentos acabam se tornando, assuntos de domínio apenas de especialistas da área psíquica. Na terceira camada, ele colocou as necessidades sociais, onde as carências psicológicas começam a predominar (relações amorosas, familiares, conjugais, entre amigos, colegas de trabalho, vizinhos, estranhos). Já na quarta camada, a penúltima, as coisas mais complicadas começam. A quarta camada é o lugar das necessidades de estima (motivação pela aceitação, reconhecimento, respeito, prestígio, autoridade). E por fim, no topo da pirâmide, estão as necessidades de autorrealização (conquista de desejos pessoais, como liberdade, sabedoria, independência, superação, autocontrole, sucesso profissional).
Poucos de nós sabem disso tudo, e assim, não percebemos o quanto é difícil ser feliz, sentir-se bem, completo e realizado. E isso vale para qualquer ser humano, seja bipolar ou não. Para nós, maníaco-depressivos então, o caminho é bastante complicado, visto que encontramos muito mais dificuldade na hora de satisfazer nossas necessidades.
 
☼ O que fazer então? Passos de bebê. Comece devagar a encarar sua condição e sua doença, e adquira controle sobre si mesmo(a).
 
E nunca se esqueça – use sempre o amor em seu coldre, e saque essa arma sempre que for preciso. O amor afasta as energias ruins que nos trazem a depressão.
 
PAUL SAMPAIO

Transtorno Bipolar

Wikipédia

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transtorno bipolar do humor (TBH)distúrbio bipolar ou transtorno afetivo bipolar (TAB) é um distúrbio mental em que a pessoa alterna entre períodos de depressão e períodos de elevado ânimo.[1][2] 

O ânimo é significativo e é conhecido como mania ou hipomania, dependendo da gravidade ou se estão ou não presentes sintomas de psicose.

 Durante o período de mania a pessoa comporta-se ou sente-se anormalmente energética, contente ou irritável.[1] 

Os doentes geralmente realizam decisões irrefletidas ou sem noção das consequências. Durante as fases maníacas a necessidade de sono tende a ser menor.[2]

 Durante as fases depressivas a pessoa pode chorar, encarar a vida de forma negativa e evitar o contato ocular com outras pessoas.[1] O risco de suicídio entre as pessoas com a doença é elevado, sendo superior a 6% ao longo de vinte anos. Verifica-se automutilação em 30–40% dos doentes.[1] 

Estão geralmente associados ao transtorno bipolar outros problemas mentais, como distúrbio de ansiedade e de consumo de drogas.[1]

As causas ainda não são totalmente compreendidas, mas tanto fatores ambientais como genéticos têm influência.[1] 

Muitos genes de pequeno efeito contribuem para aumentar o risco.[1][3]

 Os fatores ambientais incluem historial de abuso infantil e stresse de longa duração.[1] A doença divide-se em “distúrbio bipolar do tipo 1” quando existe pelo menos um episódio maníaco e “distúrbio bipolar do tipo 2” quando existe pelo menos um episódio hipomaníaco e um episódio depressivo maior. Em pessoas com sintomas menos graves e de longa duração pode-se estar na presença de ciclotimia. Quando esta condição tem origem em problemas médicos é classificada à parte.[2] 

Podem também estar presentes outras condições, incluindo distúrbio do défice de atenção com hiperatividadedistúrbios de personalidade, distúrbios relacionados com o consumo de drogas e uma série de condições médicas.[1] 

diagnóstico não requer exames médicos. No entanto, podem ser realizadas análises ao sangue e exames imagiológicos para descartar outros problemas.[4]

O tratamento geralmente tem por base a psicoterapia e medicamentos como estabilizadores de humor e antipsicóticos. Entre os estabilizadores de humor mais comuns estão o lítio e anticonvulsivos. Em pessoas que apresentam risco para si próprias ou para outros e que recusam o tratamento pode ser necessário o internamento em hospital psiquiátrico. Muitos dos problemas comportamentais podem ser feridos com antipsicóticos de curta ação ou benzodiazepinas. Durante os períodos maníacos é recomendada a interrupção dos antidepressivos. Quando os antidepressivos são usados durante os períodos de depressão, devem ser administrados em conjunto com um estabilizador de humor. Em pessoas que não respondem a outro tipo de tratamento pode ser considerada a possibilidade de terapia eletroconvulsiva. No caso de o tratamento ser interrompido, é recomendado que seja feito de forma lenta. Muitas pessoas apresentam problemas financeiros, sociais ou de trabalho como consequência da doença. Estas dificuldades estão presentes, em média, entre um quarto a um terço do tempo. O risco de morte por causas naturais em doentes bipolares é o dobro do da população em geral. Isto deve-se a escolhas de vida menos acertadas e aos efeitos secundários da medicação.[1]

Estima-se que cerca de 3% da população norte-americana tenha tido um distúrbio bipolar em determinado momento da vida.[5] 

Em outros países, a prevalência é menor, chegando a 1%. A idade mais comum em que os sintomas se começam a manifestar é aos 25 anos.[1] A prevalência aparenta ser igual em homens e mulheres.[6] O custo económico da doença é elevado, estimando-se que sejam perdidos 50 dias de trabalho por ano por doente.[7] As pessoas com distúrbio bipolar muitas vezes enfrentam o problema do estigma social.[1]

Considerando as novas definições de espectro bipolar, estima-se que entre 5% e 7% da população mundial teriam o transtorno em algum momento da vida.[8]

Classificação

A depressão maníaca foi inicialmente descrita em fins do século XIX pelo psiquiatra Emil Kraepelin, que descreveu seus estudos em seu Textbook of Psychiatry. Existem inúmeras variações do distúrbio bipolar, definidas como espectro bipolar. As :

  • TIPO I: Predomínio da fase maníaca (eufórica) com depressão mais leve (distimia).
  • TIPO II: Predomínio da fase depressiva com mania mais leve (hipomania).
  • MISTA: Quando os episódios possuem várias características tanto de mania quanto de depressão simultaneamente.[9]
  • CICLOS RÁPIDOS: Quando os episódios variações humor duram menos de uma semana.
  • CICLOTIMIA: Os sintomas são persistentes por pelo menos dois anos, períodos em que sintomas de hipomania são leves e depressão ou distimia não são tão profundos para ser qualificados como depressão maior.[10]

Na classificação internacional de doenças da OMS (CID-10) deve-se também informar se no momento da consulta o paciente possui sintomas psicóticos, e se estava em um episódio depressivo, maníaco, hipomaníaco, mista ou em remissão. [11]

Classificação antiga

Muitos termos foram usados para se referir a esse transtorno: loucura circularloucura alternanteloucura intermitentemelancolia maníaca, mas principalmente o termo de Emil Kraepelin psicose maníaco-depressiva[12]. Esses termos foram substituídos quase completamente por terminologias menos estigmatizantes e mais comprometidas com o diagnóstico e tratamento médico.[13]

Os casos de psicose com episódios maníacos e depressivos são atualmente classificados como transtorno esquizoafetivo.

Sinais e sintomas

O transtorno bipolar é caracterizado por mudanças extremas e intensas de humor que ocorrem em tempos distintos, chamados de episódios de humor. Esses episódios geralmente duram pelo menos quatro dias ou vários meses. Entre um episódio e outro podem haver períodos de normalidade. Raramente os episódios de mania e depressão tem a mesma regularidade e intensidade, de modo que é possível ter muitos episódios de euforia e poucos de depressão (bipolar tipo I) ou muitos episódios de depressão e poucos de euforia (bipolar tipo II).[14]

Os episódios de humor, também chamados de fases, são caracterizados por[14]:

  • Fase maníaca: Período de constante bom humor, extroversão ou irritabilidade, que dura pelo menos uma semana. Há um aumento incomum da energia e dedicação a atividades e estudos, impulsividade, distração, impaciência e ritmo. A mudança de humor deve ser suficientemente severa para causar dificuldade perceptível no trabalho, na escola ou em atividades sociais ou relacionamentos; ou para exigir a hospitalização; ou para provocar uma perda de contato com a realidade (psicose).
  • Fase hipomaníaca: Similar a mania, mas com menor duração e prejuízo as atividades diárias. pelo menos quatro dias consecutivos.
  • Fase depressiva: Período de constante desanimo, quase todos os dias, com perda de interessa em atividades que antes geravam prazer. Sentimento de tristeza, vazio, desesperança ou irritabilidade. Aumento ou diminuição do sono e fome. Dura pelo menos uma semana e deve ser suficientemente severo para causar dificuldade perceptível no trabalho, na escola ou em atividades sociais ou relacionamentos; ou para exigir a hospitalização.
  • Fase distímica: Similar a depressiva, mas com menor intensidade e maior duração. Causa menos prejuízos nas atividades diárias, mas dura pelo menos um mês.

Causas

As causas são tanto genéticas e/ou congênitas quanto psicossociais com 50% dos portadores apresentando pelo menos um familiar afetado, e com filhos de portadores apresentam risco aumentado de desenvolver a doença, quando comparados com a população.

Influências genéticas, acredita-se que são responsáveis ​​por 60-80% do risco de desenvolver a doença, indicando um forte componente hereditário. No geral a hereditariedade do espectro bipolar foi estimada em 71%. Os estudos de gêmeos têm sido limitados por amostras relativamente pequenas, mas indicaram uma contribuição genética substancial, bem como a influência ambiental. A relativamente baixa concordância entre gêmeos dizigóticos criados juntos sugere que efeitos ambientais familiares partilhados são limitados, embora a capacidade de detectá-los tem sido limitada pelo pequeno tamanho das amostras. 

Genéticas

Estudos genéticos sugerem que muitas regiões cromossômicas e genes candidatos por serem responsáveis estão relacionados com a suscetibilidade a doença bipolar com cada gene exercendo um efeito de leve a moderado. O risco de desordem bipolar é quase dez vezes mais elevado em parentes de primeiro grau de pessoas afetadas com transtorno bipolar, quando comparado com a população em geral; Da mesma forma, o risco de desordem depressiva principal é três vezes maior em familiares das pessoas com doença bipolar, quando comparado com a população em geral. 

Embora a primeira ligação genética  para mania foi encontrada em 1969,  os estudos de ligação têm sido inconsistentes.  O maior e mais recente estudo de associação do genoma não conseguiu encontrar qualquer lugar especial, que exerce um grande efeito, reforçando a ideia de que nenhum único gene é responsável por transtorno bipolar na maioria dos casos. 

Achados apontam fortemente para heterogeneidade, com diferentes genes implicados em famílias diferentes.  Associações significativas do genoma, robustos e replicáveis ​​demonstraram vários  polimorfismos de nucleotídeo único, incluindo variantes dentro dos genes CACNA1C, ODZ4, e NCan. 

A idade paterna avançada tem sido associada a um pequeno aumento da chance de transtorno bipolar na prole, consistente com a hipótese de aumento de novas mutações genéticas. 

Eletroconvulsoterapia

Em alguns casos, quando a medicação e psicoterapia não são suficientes, uma alternativa eficiente, segura é o uso de eletroconvulsoterapia (ECT). A ECT utiliza uma corrente eléctrica breve aplicada ao couro cabeludo, enquanto o paciente está sob anestesia. O processo leva cerca de 15 minutos e é feito duas a três vezes por semana durante um período de seis a doze semanas.[20]

Em uma revisão bibliográfica do uso da ECT para tratar episódios maníacos ao longo de um período de 50 anos, quase 80% dos 589 pacientes maníacos tiveram melhoras significativas, inclusive os que não responderam aos medicamentos. [21]

Prognóstico

O TBH acarreta incapacitação e grave sofrimento para os portadores e suas famílias. Dados da Organização Mundial de Saúde, ainda na década de 1990, evidenciaram que o TBH foi a sexta maior causa de incapacitação no mundo. Estimativas indicam que um portador que desenvolve os sintomas da doença aos 20 anos de idade, por exemplo, pode perder 9 anos de vida e 14 anos de produtividade profissional, se não tratado adequadamente.

A mortalidade dos portadores de TBH é elevada, e o suicídio é a causa mais frequente de morte, principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o suicídio ao menos uma vez em suas vidas e 15% efetivamente o cometem. Também doenças clínicas como obesidade, diabetes, e problemas cardiovasculares são mais frequentes entre portadores de Transtorno Bipolar do que na população geral. A associação com a dependência de álcool e drogas não apenas é comum (41% de dependência de álcool e 12% de dependência de alguma droga ilícita), como agrava o curso e o prognóstico do TAB, piora a adesão ao tratamento e aumenta em duas vezes o risco de suicídio. É importante ressaltar que nem todos os portadores do Transtorno Bipolar são dependentes de álcool ou drogas ilícitas.

O início dos sintomas na infância e na adolescência é cada vez mais descrito e, em função de peculiaridades na apresentação clínica, o diagnóstico é difícil. Não raramente as crianças recebem outros diagnósticos, o que retarda a instalação de um tratamento adequado. Isso tem consequências devastadoras, pois o comportamento suicida pode ocorrer em 25% dos adolescentes portadores de TBH.[carece de fontes?]

Ludwig van Beethoven, compositor e pianista.

Ludwig van Beethoven. Também bipolar.

Sociedade e Cultura

No início do século XX, a busca pelas raízes da genialidade era um dos temas mais palpitantes da investigação psicológica. Cientistas de ponta tinham poucas dúvidas de que certos males psíquicos davam asas à imaginação. “Quando um intelecto superior se une a um temperamento psicopático, criam-se as melhores condições para o surgimento daquele tipo de genialidade efetiva que entra para os livros de história”, sentenciava o filósofo e psicólogo americano William James (1842-1910). Pessoas assim perseguiriam obsessivamente suas ideias e seus pensamentos – para seu próprio bem ou mal -, e isso as distinguiria de todas as outras.

“Muitas pessoas já me caracterizaram como louco”, escreveu certa vez Edgar Allan Poe (1809-1849). “Resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada de inteligência”. Nessa sua suspeita de que genialidade e loucura talvez estejam intimamente entrelaçadas, o escritor americano não estava sozinho. Muito antes, Platão mostrara acreditar em uma espécie de “loucura divina” como base fundamental de toda criatividade.

A criatividade está muitas vezes relacionada a uma doença mental, com os escritores sendo particularmente suscetíveis, de acordo com um estudo feito em mais de um milhão de pessoas.[22] Escritores tiveram um maior risco de transtornos de ansiedade e transtorno bipolar, esquizofrenia, depressão e abuso de substâncias, conforme os pesquisadores suecos do Instituto Karolinska (2012) e são quase duas vezes mais suscetíveis do que a população em geral ao suicídio. Dançarinos e fotógrafos também estão mais propensos a terem transtorno bipolar e os episódios maníacos ou hipomaníacos do transtorno bipolar podem ser propícios para a expressão criativa em algumas pessoas.

Apesar de certos traços poderem ser benéficos ou desejáveis “É importante ressaltar, porém, que nós não devemos romantizar excessivamente as pessoas com problemas de saúde mental, que em sua grande maioria são retratadas como gênios criativos.” [23]

Uma equipe da Universidade Estadual do Oregon ao observar a situação ocupacional de um grande grupo de pacientes bipolares típicos, descobriu que “as pessoas com doença bipolar parecem estar desproporcionalmente concentradas em categorias profissionais mais criativas.” Eles também descobriram que a probabilidade de “engajamento em atividades criativas no trabalho ” é significativamente maior em bipolares do que nos não bipolares. A medicação pode atenuar a expressão criativa, e não pode ser vista de forma positiva neste contexto.

O transtorno bipolar pode oferecer certas vantagens em relação à criatividade, especialmente naqueles portadores dotados de sintomas mais leves.

Um estudo datado de 2005 tentou desvendar a relação entre a criatividade de Virginia Woolf e sua doença mental, que era mais provavelmente o transtorno bipolar. O psiquiatra Gustavo Figueroa, da Universidade de Valparaiso, Chile, escreveu: “Ela era moderadamente estável, excepcionalmente produtiva de 1915, até o suicídio, em 1941.” “Virginia Woolf criou pouco ou nada, durante os períodos em que não esteve muito bem, e foi produtiva entre as crises. Uma análise detalhada de sua própria criatividade ao longo dos anos aponta que as doenças eram a fonte de material para seus romances”.[24]

Alterações no sistema imunológico

Evidências sugerem a ativação de processos inflamatórios no sistema nervoso central e reações inflamatórias sistêmicas. Isso se deve ao aumento da atividade do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (especialmente na fase maníaca) e o aumento do metabolismo de cortisol. Além disso, poderia ter influência de agentes infecciosos no período pré-natal, porém esse aspecto necessita de mais estudos.

O mecanismo sugerido pelo qual o sistema imunológico atua sobre o sistema nervoso central é pela maior permeabilidade da barreira hematoencefálica em pacientes com transtorno bipolar, então as concentrações alteradas de C3a e C5a, por exemplo, podem afetar de maneira mais fácil o sistema nervoso central.[16]

Diagnóstico

Mania

O Episódio maníaco é caracterizado por pelo menos três dos seguintes sintomas por pelo menos uma semana[15]:

  1. Trabalhos concomitantes e incompletos: Facilmente distraído. Atenção constantemente desviada para estímulos externos, resultando em muitos trabalhos concomitantes e incompletos;
  2. Verborragia: Falar mais, mais rápido e mais alto que o habitual;
  1. Fuga de ideias: Pensamentos acelerados, incontroláveis, resultando em dificuldade de se expressar claramente e rapidamente esquecendo ideias e assuntos anteriores;
  1. Inquietude: Gerando aumento no número de atividades feitas no trabalho ou escola;
  2. Impulsividade: Falta de autocontrole, impaciência e ansiedade;
  3. Comportamentos de risco: Correr mais riscos que o usual, por exemplo, dirigir perigosamente, consumir álcool em excesso, usar drogas ilícitas, não usar preservativo, gastar as economias…
  4. Autoestima elevada: Sentimento de grandiosidade e intenso bem-estar com si mesmo;
  5. Necessidade de sono diminuída: Sente-se pronto para o trabalho depois de apenas poucas horas de sono;

Depressão

A fase depressiva do bipolar é caracterizada por 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedonia[17]:

 

  1. Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo ou triste;
  2. Anedonia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
  1. Sensação de inutilidade;
  1. Culpa excessiva;
  1. Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
  1. Fadiga: cansaço excessivo, falta de energia;
  2. Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
  1. Distúrbio psicomotor: Agitação ou lentidão cognitiva e motora;
  1. Distúrbio alimentar: Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
  2. Ideação suicida: Ideias recorrentes de morte ou suicídio.
  1. Ou 3 a 4 sintomas por pelo menos dois anos consecutivos, no caso de distimia. Para diagnóstico de bipolar essa fase não pode ter sido causada por luto, drogas ou outra doença.

Hipomania –A hipomania é um episódio de mania menos prejudicial e que dura menos tempo, característico do bipolar tipo II. Classifica-se como hipomania se existem pelo menos três sintomas de mania mas[14]:

 

  1. A mudança de humor e funcionamento deve ser diferente da característica e suficiente para ser perceptível por outras pessoas;
  2. Não é suficientemente grave para causar dificuldade considerável no trabalho, na escola ou em atividades sociais ou relacionamentos;
  3. Não requer hospitalização nem provoca perda de contato com a realidade;
  4. Os sintomas não são causados por drogas, toxinas ou outra condição médica.

Tratamento

Medicamentoso

O tratamento de transtorno bipolar pode ser tentado com várias classes de medicação, incluindo sais de lítioanticonvulsivantesantipsicóticosantidepressivos e eletroconvulsoterapia. Porém, o tratamento frequentemente é caracterizado por persistência de alguns sintomas e por altos índices de recaídas e internações. [18]

O tratamento adequado do TBH pode ser feito com um ou mais estabilizante de humor como carbonato de lítio (medicação com a melhor evidência),ácido valproico/valproato de sódio/divalproato de sódiolamotriginacarbamazepina ou oxcarbazepina). A associação de antidepressivos (de diferentes classes) e de antipsicóticos (em especial os de segunda geração como risperidonaolanzapinaquetiapinaziprasidonaaripiprazol) pode ser necessária para o controle de episódios de depressão e de mania. [19]

Psicoterapêutico

O tratamento psicoterápico pode ajudar[18]:

  • Aumentando a adesão ao tratamento;
  • Reduzindo dos sintomas residuais;
  • Prevenindo recaídas/recorrências;
  • Reduzindo o número e períodos de hospitalizações;
  • Prevenindo suicídio;
  • Melhorando a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares;
  • Melhorando as habilidades sociais e o desempenho e;
  • Melhorando a capacidade de lidar com situações estressantes em suas vidas.

SOBRE

TRANSTORNO BIPOLAR

PSICOSE MANÍACO-DEPRESSIVA

DOENÇA BIPOLAR

PELA ASSOCIAÇÃO DE APOIO AOS DOENTES DEPRESSIVOS E BIPOLARES

 
1 – O QUE É A DOENÇA BIPOLAR?
 
A Doença Bipolar, tradicionalmente designada Doença Maníaco-Depressiva, é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e «mania». Qualquer dos dois tipos de crise pode predominar numa mesma pessoa sendo a sua frequência bastante variável. As crises podem ser graves, moderadas ou leves.
 
As viragens do humor, num sentido ou noutro têm importante repercussão nas sensações, nas emoções, nas ideias e no comportamento da pessoa, com uma perda importante da saúde e da autonomia da personalidade.
 
2 – QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA DOENÇA BIPOLAR?
 
♥ MANIA
 
O principal sintoma de «MANIA» é um estado de humor elevado e expansivo, eufórico ou irritável. Nas fases iniciais da crise a pessoa pode sentir-se mais alegre, sociável, ativa, faladora, autoconfiante, inteligente e criativa. Com a elevação progressiva do humor e a aceleração psíquica podem surgir alguns ou todos os seguintes sintomas:
• Irritabilidade extrema; a pessoa torna-se exigente e zanga-se quando os outros não acatam os seus desejos e vontades;
• Alterações emocionais súbitas e imprevisíveis, os pensamentos aceleram-se, a fala é muito rápida, com mudanças frequentes de assunto;
• Reação excessiva a estímulos, interpretação errada de acontecimentos, irritação com pequenas coisas, levando a mal comentários banais;
• Aumento de interesse em diversas atividades, despesas excessivas, dívidas e ofertas exageradas;
• Grandiosidade, aumento do amor próprio. A pessoa, pode sentir-se melhor e mais poderosa do que toda gente;
• Energia excessiva, possibilitando uma hiperatividade ininterrupta;
• Diminuição da necessidade de dormir;
• Aumento da vontade sexual, comportamento desinibido com escolhas inadequadas;
• Incapacidade em reconhecer a doença, tendência a recusar o tratamento e a culpar os outros pelo que corre mal;
• Perda da noção da realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes»;
• Abuso de álcool e de substâncias.
 
♣ DEPRESSÃO
 
O principal sintoma é um estado de humor de tristeza e desespero.
Em função da gravidade da depressão, podem sentir-se alguns ou muitos dos seguintes sintomas:
 
• Preocupação com fracassos ou incapacidades e perda da autoestima. Pode ficar-se obcecado com pensamentos negativos, sem conseguir afastá-los;
• Sentimentos de inutilidade, desespero e culpa excessiva;
• Pensamento lento, esquecimentos, dificuldade de concentração e em tomar decisões;
• Perda de interesse pelo trabalho, pelos hobbies e pelas pessoas, incluindo os familiares e amigos;
• Preocupação excessiva com queixas físicas, como por exemplo a obstipação;
• Agitação, inquietação, sem conseguir estar sossegado ou perda de energia, cansaço, inação total;
• Alterações do apetite e do peso;
• Alterações do sono: insónia ou sono a mais;
• Diminuição do desejo sexual;
• Choro fácil ou vontade de chorar sem ser capaz;
• Ideias de morte e de suicídio; tentativas de suicídio;
• Uso excessivo de bebidas alcoólicas ou de outras substancias;
• Perda da noção de realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes» com conteúdo negativo e depreciativo;
• Por vezes o/a doente tem, durante a mesma crise, sintomas de depressão e de «mania», o que corresponde às crises MISTAS.
 
3 – QUANTO TEMPO DURA UMA CRISE?
Varia muito. A pessoa pode estar em fase maníaca ou depressiva durante alguns dias, ou durante vários meses. Os períodos de estabilidade entre as crises podem durar dias, meses ou anos. O tratamento adequado encurta a duração das crises e pode preveni-las.
 
4 – É POSSÍVEL PREVER AS CRISES?
Para algumas pessoas, sim. Umas terão uma ou duas crises durante toda a vida, outras pessoas recaem repetidas vezes em certas alturas do ano (caso não estejam tratadas!). Há doentes que têm mais do que 4 crises por ano (CICLOS RÁPIDOS).
 
5 – EM QUE IDADE SURGE A DOENÇA?
Pode começar em qualquer altura, durante ou depois da adolescência.
 
6 – QUANTAS PESSOAS SOFREM DA DOENÇA BIPOLAR (Maníaco-Depressiva)? Aproximadamente 1% da população sofre da doença, numa percentagem idêntica em ambos os sexos.
 
7 – QUAL A CAUSA DA DOENÇA?
Há vários fatores que predispõem para a doença, mas o seu conhecimento ainda é incompleto. Os fatores genéticos e biológicos (na química do cérebro) têm um papel essencial entre as causas da doença, mas o tipo de personalidade e os estresses que a pessoa enfrenta desempenham também um papel relevante no desencadeamento das crises.
 
8 – DEPOIS DE UMA CRISE DE DEPRESSÃO OU MANIA VOLTA-SE AO NORMAL?
Em geral, sim. No entanto, devido às consequências dramáticas que as crises podem ter, no plano social, familiar e individual, a vida da pessoa complica-se e perturba-se muito, restringindo de forma marcante a sua capacidade de adaptação e autonomia.
O tratamento adequado para a prevenção das crises (se são graves e/ou frequentes) é essencial para evitar os muitos riscos inerentes à doença.
 
9 – HÁ TRATAMENTO PARA AS CRISES E PARA A DOENÇA BIPOLAR?
Não há nenhum tratamento que cure a doença por completo. No entanto, há grandes possibilidades de controlar a doença, através de medicamentos estabilizadores do humor, cuja ação terapêutica diminui muito a probabilidade de recaídas, tanto das crises de depressão como de «mania». Os estabilizadores do humor são a Olanzapina, a Lamotrigina, o Valproato, Carbonato de Lítio, Quetiapina, Carbamazepina, Risperidona e Ziprasidona.
As crises depressivas tratam-se com medicamentos ANTIDEPRESSIVOS ou, em casos resistentes, a elecroconvulsivoterapia. As crises de mania tratam-se com os estabilizadores do humor atrás referidos e com os medicamentos neurolépticos ANTIPSICÓTICOS.
Naturalmente, o apoio psicológico individual e familiar é um complemento indispensável para o tratamento. As crises graves obrigam a tratamento hospitalar em muitos casos.
 
10 – PORQUE É TÃO IMPORTANTE A CONSCIENCIALIZAÇÃO DOS DOENTES, DOS FAMILIARES E DE OUTRAS PESSOAS SOBRE A DOENÇA BIPOLAR?
A noção de doença mental na opinião pública é, em geral, muito confusa e pouco correta. Verifica-se uma tendência para considerar negativamente as pessoas que sofrem de doenças psiquiátricas e é frequente a ideia de que as doenças mentais são qualitativamente diferentes das outras doenças. É muito comum imaginar que há uma «doença mental» única («a doença mental»), atribuindo às pessoas que tenham sofrido crises, um prognóstico negativo de incurabilidade, aferido erradamente pelos casos de doentes mentais mais graves e crónicos. Por vezes o diagnóstico médico das diferentes doenças psiquiátricas não se faz na altura própria, por variadas razões, e isso acontece, com alguma frequência, na Doença Bipolar.
O conhecimento, mesmo que simplificado, das características da Doença Bipolar facilita a seu reconhecimento aos próprios (que a sofrem) e aos outros, possibilitando uma maior ajuda a muitas pessoas que carecem de um tratamento médico adequado e de uma solidária compreensão humana.

Escrito por Paul Sampaio

PAUL SAMPAIO CHEDIAK ALVES é professor, locutor, apresentador de rádio e TV, web designer e diretor fundador da REDE SAMPAIO de Televisão e Sites.