Auto-análise em 22 de junho de 2015


São quase 45 anos de vida. Faltam apenas 3 meses para isso.

Acho que já consegui contornar o Cabo da Boa Esperança da Recuperação.

Toda aquela preocupação com as fases e mudanças ao longo do processo, praticamente não existem mais.

Os fantasmas do alcoolismo e da dependência em cocaína e crack, já se foram há tempos. Perderam as esperanças de me ver recair, e foram embora. Eles ainda precisam ‘daquilo’ todo santo dia para viver, mesmo desencarnados, e não suportaram a serenidade que rola por aqui agora. E sem sintonia … não há comunicação e nem permanência no mesmo espaço.

Contudo, nossos irmãos da ala sacerdotal … estão sempre por aqui. Saí das dores no ombro e no pescoço, para a dores ciáticas, dos ombros até às pernas. Tenho que ficar me contorcendo na cadeira enquanto escrevo no teclado … rsss … e nos sonhos então, estão sempre lá. Que sejam bem-vindos, e que eu possa lhes ajudar em algo.

Em relação ao trabalho, o aprendizado continua, e já tenho planejamento para mais de dois anos. Não tenho metade das respostas ou porquês de detalhes importantíssimos ainda, mas sei que surgirão no decorrer dos trabalhos. Além do que, muitas das decisões em relação aos rumos, só acontecerão a partir das consequências de alguns destes trabalhos. Logo, por hora, estamos mais do que em dia com a obra.

Na área pessoal, ainda preciso acabar com o restinho que ainda existe do ‘porco’ em mim. Minha doença me fez palhaço, leão e porco no final. E sair deste último, é extremamente demorado. E isso chegou até a  interferir diretamente na edição da entrevista com a Silvia Morbi, a primeira pessoa que fez atentar para essa realidade. Depois de chegar a viver na rua, a submissão a uma disciplina de higiene que pode parecer fácil e natural para nós antes dos vícios, se torna a coisa mais difícil do mundo para pessoas como eu. Mesmo anos depois, ainda sofro muito com isso. Acabar com a tendência interna à sujeira, talvez seja uma das últimas fases … ou sei lá … talvez, só depois dela é que tudo realmente esteja começando. Quem sabe?

O importante, porém, é sentir-se totalmente limpo por dentro, e isso já vem acontecendo há muito tempo. A transcendência que eu buscava no álcool e nas drogas fortes, é totalmente possível em estado de pureza dos sentimentos, em caridade feita, e na busca pela melhora do mundo.

Além de todos os aspectos psíquicos e espirituais dessa transcendência, há também o físico. E é uma delícia conseguir ver as coisas uns 3 segundos à frente. A sensação de perfeição é tanta que até assusta. Que benção.

Nunca fui bom, como qualquer ser humano comum, para ler os sinais espirituais através das coincidências e estranhezas do cotidiano, e agora, parece ser uma língua que eu sempre soube entender e falar.

O episódio que acabará por me projetar um pouco mais além do que apareço hoje, acabará sumindo com a enorme demanda de trabalhos que ainda desenvolveremos, mas não por isso, perderá em nada sua importância. O ato de coragem inicial, acabará pavimentando todo o resto do caminho.

E se falei dos menos esclarecidos, encerro falando dos iluminados. Que eles estejam sempre a nosso lado quando não formos suficientes, senão para ajudar e nos proteger, pelo menos para nos amparar na hora de nossa passagem.

Assim Seja,

Paul Sampaio – Bauru, 22 de junho de 2015 – 20:48 – 23º


mão escrevendo


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