Sentimentos permanentes e transitórios

Fácil é, escrever poesia quando se namora,

quando senti amor, saudade e até raiva.

Palavras não param de aparecer.

Tudo merece desabafo.

A impressão que fica é que não podíamos deixar de falar.

Que se falássemos, algo iria mudar ou se perpetuar.

Não há como escrever duas poesias iguais.

Por mais que sejam parecidas,

até pela semelhança dos sentimentos que acontecem em relações estáveis,

as poesias sempre trazem dados novos.

De sensações que começam a tomar outras formas.

Afinal, tudo se transforma, até no amor. Aliás, principalmente no amor.

Quando é só amizade ou parentesco, o sentimento costuma continuar o mesmo,

mas o mesmo não ocorre nos namoros e casamentos tão facilmente.

O mais comum é a mutação. E com ela, um verdadeiro turbilhão de razões e costumes paralelos, que muitas vezes são maiores que o próprio sentimento em relação à pessoa.

Culpas disso e daquilo, razões pra isso e mais aquilo, e assim vai …

Ninguém nunca passa ileso num relacionamento, nem sai sem aprender nada.

Conviver com o outro da maneira mais intíma, é confundir-se com si mesmo. É enxergar-se mais profundamente também. E por isso, assustar-se com alguma frequência. Já que o espelho, é o que menos mostra de nós mesmos, e o mais comum, é desconhecermos quem realmente somos.

Logo, nem sempre o que sentimos pelo outro é realmente pelo outro que sentimos. Em geral, ali está ocorrendo uma batalha de aceitação de nós mesmos a todo momento … através do olhar do outro e suas críticas. E se nem conseguimos ainda, lidar com esse fenômeno, quem dera saber manter os sentimentos todos em permanente equilíbrio. Trabalho pra iluminados.

Por essa razão, acho que seria correto dizer que, saber lidar com os próprios sentimentos, é que é a chave da felicidade, e não o relacionamento em si.

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