Do que se faz uma biografia?

O que mais lembramos? Das realizações ou das derrotas? Dos sentimentos ou das pessoas?

Fiquei pensando sobre o que de fato deveria existir na biografia de alguém. Noto que nenhum perfil de rede social, ou biografia da wikipedia diz qualquer coisa sobre como as pessoas se sentem ou se sentiam.

Isso também vale para os relacionamentos. As fotos de relacionamentos, casamentos anteriores, quando permanecem na rede, não traduzem em geral os motivos da separação. Não mostram as razões, nem os sentimentos que levaram aquelas pessoas a tomarem caminhos separados na vida.

Acredito que ainda somos muito envergonhados e medrosos. E isso é uma espécie de pacto social velado. Ninguém assinou, mas existe. Qualquer pessoa muito sincera, que diz abertamente tudo o que sente, e claro, envolve com isso, a imagem de outra, é automaticamente destacada como inconveniente. Enfim, não cabe em nosso mundo, espaço pra tanta verdade. A não ser no cinema. E depois que a pessoa morre. Aí sim, sabemos como ela se sentia, o porquê de ter tomado certas decisões na vida … mas claro também, que nunca mais saberemos se ela concorda inteiramente com a abordagem trabalhada no filme.

Salvo algumas excessões, dificilmente encontramos biografias com esses dados existenciais que acabaram por traçar a trajetória da pessoa em vida.

Tenho certeza que a maior parte das coisas que sabemos de celebridades, pode ser mentira, ou nunca ter acontecido. Geralmente são relatos colhidos após a morte da pessoa, e muitas vezes, considerados como fatos que realmente aconteceram. Fatos que a estigmatizam e rotulam por toda sua história. Fatos que se tornam referência primeira que temos de sua vida, e que muitas vezes, não foi nem de perto, a coisa mais importante da vida dela.

Que bom seria se todo mundo no futuro, pudesse viver em um grande livro aberto.

Onde os blogs adultos, contassem vez ou outra, mais sobre seus donos. Que trouxessem um pouco da riqueza de descrições banais que os blogs adolescentes já trazem … e que não nos envergonhássemos tanto, do que realmente somos.

Algo verdadeiro o suficiente para dizermos ao final da leitura e da exibição dos vídeos: sim, eu conheço essa pessoa.

Todos temos o direito à privacidade, e o direito a manter só pra nós e pra quem quisermos, nossas verdades mais secretas, é evidente. Contudo, deveríamos, em minha opinião, encontrar nossos pontos fortes e investir neles. Divulgá-los sim.

O que não precisamos é tentar maquiar o que somos, para parecer mais interessantes, ou o que é pior, criar o que não existe. Muito menos, ficarmos com medo do mundo virtual, criminal, terrestre, espacial … o que interessa é o mundo espiritual. E lá, tudo já é totalmente aberto. Lá não dá pra esconder nada. E aqui, deveria ser um treino pra viver lá, não é?

Entendo perfeitamente que minhas convicções não servem para muitos, que ainda acreditam ser apenas animais pensantes, sem destino espiritual após o próprio enterro. E essas pessoas, com certeza acham essa minha ideia absolutamente idiota e descabida. Mas eu pelo menos, já estou tomando as devidas providências a meu respeito.

Já fui bom e ruim para os outros e pra mim mesmo. Continuo tendo a chance diária de melhorar como ser humano. E a consciência disso tudo basta, para que eu me sinta muito confortável para dizer o que sinto e penso sobre tudo o que me cerca. E para principalmente, me apresentar como eu sou. Nem mais nem menos. Simplesmente o que sou. Orgulhoso disso ou não.

E a cada dia que passa, aprendo mais sobre a Lei Espiritual número um em relação à arte de lidar com a vida de outras pessoas na hora que falamos delas. A saber: a pertinência. Sem esquecer nunca, de saber se perdoar rápido quando escorrega. Afinal, errar é próprio do ser humano. Contudo, consertar, é mais ainda. Eis a maior razão para essa causa.

Sampaio.

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