A Flor que Nasceu do Concreto


Foi uma imagem como poucas.

De uma escola bombardeada no passado, e de todo entulho abandonado para trás, ainda haveria poesia.

Ali crianças aprenderam, e ali também, crianças morreram.

Tudo silencioso ao redor, na verdade, uma cidade inteira vazia, era a cena que eu via naquele retorno depois do trauma amansado.


escombros, bombardeio


Não há mais aquele cheiro dos dias de Guerra, mas os vestígios de vidas ceifadas, estavam em qualquer canto para que eu olhava.

Ninguém teve escolha, quem não morresse ali, viveria como eu, para ver quão monstruosa pode ser a Humanidade.

Anos depois, as memórias que vivem em cada pesadelo noturno que tenho, voltaram como um míssil, misturando passado, presente e futuro em uma só ânsia de vingança.


 

sala de aula, lápis, colorido, crianças, professora


Mas pouco a pouco, reencontrei a serenidade, e lembrei de todos enquanto ainda eram vivos, e o quanto fomos felizes juntos.

E foi um apagador, que usávamos para limpar o giz que escrevia o conhecimento na lousa, que me levou até a ela.

Depois de ficar sentado no chão, onde um dia havia minha sala de aula, e meu alunos, vi aquele apagador a alguns metros de mim, e fui até ele. E quando fui pegá-lo, vi ao lado, brotando de uma rachadura do piso, uma pequena planta com uma flor nascendo.

O mato já estava enorme, deviam haver outras iguais àquela por todos os lados, mas aquela em específico, pareceu falar comigo.

E foi em volta dela, onde plantamos também outras lindas espécies, criando assim, um pequeno jardim, que recomeçamos nossa escola, nossa cidade e nossa vida.

Não sei quantas salas de aula no mundo têm um pequeno jardim dentro, e também, tantas memórias como estas que contei aqui. Mas que todas elas tenham, pelo menos, a vontade de continuar que tivemos.

Em algum momento, algum professor no mundo, perdeu aqueles alunos que se tornaram assassinos de crianças, mulheres, cachorros e de tudo que tinha vida em nossa Terra.

avião, bombardeio, cidade

Por isso, nos preocupamos tanto com os nossos pequenos.

Nossas crianças na sala de aula hoje, esperam alguma coisa de nós. E precisamos salvar estes aqui. Precisamos encher seus corações de sonhos e esperança em um futuro melhor.

Ao invés do desejo de vingança, ensinamos a eles a caridade e o respeito à vida humana. Afinal, ninguém merece passar pelo o que passamos.

Somos vítimas do nosso próprio tempo, mas somos também, os responsáveis pelo amanhã.

E amanhã, que não haja mais armas para os insanos.

Que haja apenas aulas, para os sedentos por saber.

Para os famintos por vida, e não por morte.


flor, concreto, 1


 

 

 

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