As Famílias de Eike e seus 14,4 Bilhões


São milhares e milhares de brasileiros.

Famílias para perder a conta, que foram afetadas direta e indiretamente pelos crimes cometidos por este senhor chamado Eike Batista, e lamentavelmente, pela própria presidente da República, a senhora Dilma Rousseff.

Ainda não havia visto uma parceria tão atípica.

Eike Batista e a presidente Dilma Roussef em evento em São João da BarraDe um lado, uma ex-guerrilheira de esquerda, hoje, a presidente do Brasil, com um evidente estilo stalinista-bolivariano, agindo em nome de um enorme grupo de colegas iguais, dentro da cúpula petista.

E do outro, o perfeito exemplo do executivo fritador de empresas e empregos, e reconhecidamente, um dos maiores especuladores financeiros do Planeta.

Pessoas comuns, não são capazes de entender como é possível alguém torrar 14 bilhões de reais assim: puuuuffff !

Na verdade, nem a maioria dos economistas do país, saberiam aplicar golpes assim no mercado.

É necessário na verdade, muita habilidade para conseguir quebrar nessas proporções, gozando das informações mais privilegiadas possíveis sobre tais poços de petróleo, fornecidas por órgãos do governo e da Petrobrás, e que haviam custado aos cofres públicos, alguns outros bilhões, em análises e pesquisas.

Quanto você já é capaz de enxergar por trás disso tudo?

E o que nós brasileiros ganhamos com isso, além do enorme rombo no mercado, e famílias enganadas por todos os lados, à beira do abismo, por causa de investimentos nas bravatas dessas pessoas na foto acima?

Em plena corrida presidencial, um absurdo desses vem à tona, simultaneamente ao negócio da ‘China’ em Pasadena, e ainda existem vários amigos meus, de esquerda , que acham possível confiar nesse PT.

E vão votar nesse grupo de novo.

Eu particularmente só digo uma coisa: nós não podemos confiar neles. De jeito nenhum.

Eles são mentirosos, imprevisíveis, e com certeza, a questão social está para eles, em terceiro plano.

 


 

Eike é denunciado por falsidade ideológica e formação de quadrilha

24/09/2014 08h55

O empresário Eike Batista e mais sete executivos ligados à OGPar (ex-OGX) foram denunciados à Justiça Federal em São Paulo por supostos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e indução de investidores a erro, relacionados à divulgação de informações consideradas otimistas sobre o potencial das reservas de petróleo da empresa que, depois, revelaram-se infundadas.

A denúncia foi apresentada nesta terça-feira (23) pela procuradora da República Karen Kahn, do Ministério Público Federal em São Paulo.


Eike Batista participa da abertura de capital da CCX, de produção de carvão na Colômbia
Eike Batista participa da abertura de capital da CCX, de produção de carvão na Colômbia

A procuradora considerou, em sua acusação, o fato de Eike e seus funcionários terem divulgados fatos relevantes e informações entre 2009 e 2013 que levaram o mercado a concluir pela existência de reservas com elevado volume de petróleo e a acreditar na promessa de forte produção de petróleo.

Ainda de acordo com a investigação, a divulgação ao mercado declarando a viabilidade comercial de três reservas –Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia– em março de 2013 se deu mesmo com os executivos já sabendo que extrair petróleo delas não era lucrativo, o que só foi reconhecido oficialmente quatro meses depois.

Roberto Medina, George Benson, Ivan Lins e Eike Batista, no Rio
Roberto Medina, George Benson, Ivan Lins e Eike Batista, no Rio

Para Kahn, houve crimes contra o sistema financeiro. Em seu entendimento, as fraudes atingem a credibilidade e a eficiência do mercado de capitais brasileiros”. A perda estimada para o mercado é de R$ 14,4 bilhões.

Em relação a esta denúncia, as penas podem ir até 14 anos, no caso de Eike, e 22 anos, nos casos dos executivos, porque eles também foram denunciados por manipulação de mercado.

Eike já havia sido denunciado por manipulação, em relação à OGX, há duas semanas, pelo MPF do Rio. Para os procuradores fluminenses, o empresário também negociou ações com informações não públicas (insider trading”).

Os outros denunciados pelo MPF em São Paulo são Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, ex-presidente; Paulo De Tarso Guimarães e Marcelo Faber Torres, ex-diretores de Relações com Investidores; José Faveret Cavalcanti, ex-diretor jurídico; Roberto Monteiro, ex-consultor; Paulo Mendonça, ex-diretor de produção; e Reinaldo Belotti, atual diretor de produção.

SUPERESTIMADO

Eike Batista em seu escritório no bairro de Botafogo no Rio de Janeiro
Eike Batista em seu escritório no bairro de Botafogo no Rio de Janeiro

Segundo a investigação, desde 2011 a empresa já tinha indícios de que as reservas e o potencial de produção estavam sendo superestimados.

Reportagem da Folha de novembro revelou que, desde 2012, a empresa tinha em mãos relatórios que apontavam a inviabilidade de três das principais reservas. Um grupo de estudos criado para avaliar um desses relatórios concluiu que o volume recuperável das reservas encontradas era abaixo de 5%.

De acordo com o MPF, em vez de vir ao mercado reconhecer o fracasso da exploração, o empresário e a empresa “procuraram manter o interesse crescente dos investidores”.

A mesma procuradora havia denunciado Eike na semana passada por manipulação de mercado e “insider trading”, mas relacionado à venda de ações da OSX, o estaleiro também controlado pelo empresário.

Roberto Medina e Eike Batista durante apresentação do Rock in Rio 2013
Roberto Medina e Eike Batista durante apresentação do Rock in Rio 2013

A Folha entrou em contato com o advogado de Eike Batista e com a OGpar, mas ainda não obteve retorno.

BENS E CLASSE MÉDIA

Na semana passada, em entrevista à Folha, o empresário Eike Batista disse considerar “um baque gigantesco” ter voltado à mesma classe média em que nasceu.

Seu patrimônio, estimado em US$ 30 bilhões, em 2012, foi reduzido, segundo suas contas, a US$ 1 bilhão negativo.

Esse é o débito que ainda lhe sobraria caso vendesse todas as ações das empresas Ogpar, OSX, MMX (das quais ainda é controlador), além da Prumo (ex-LLX) e Eneva (ex-MPX), ambas vendidas, respectivamente, aos grupos EIG, dos Estados Unidos, e E.On, alemão.

“Nasci como um jovem de classe média e você voltar para isso…é um negócio para mim, sabe, é óbvio que é um baque gigantesco na família”, disse.

Eike voltou a falar depois de mais de um ano do silêncio em que mergulhou quando suas empresas começaram a ruir.

E escolheu o dia seguinte à determinação da Justiça de bloquear suas contas. O objetivo é quitar “danos difusos” causados pela suposta manipulação do mercado financeiro e negociação de ações com base em informação privilegiada, segundo denúncias que o Ministério Público Federal fez no Rio e em São Paulo nos últimos dias.

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