A Ética do Cinismo Libertário

Tal qual o cão vira-latas, não tenho casa, não tenho família, e não tenho máscaras.

Sou tão livre, que não quero e nem vou me vestir também.

Um barril vazio e profundo, é mais que suficiente para guardar meu corpo nas horas de frio e sono.

Não dependo de ninguém, e não tenho nada a perder.

diogenes,a lamparina e os cãesDecidi não querer nada e nem ninguém, só pra ver se vale a pena, querer a mim mesmo, no final.

A disputa dos mascarados, dependentes da mentira e da ganância, fora do barril, serve para mim como uma escola.

Aprendo diariamente lá fora, o que não ser nessa vida.

Quando conseguimos ficar nus de corpo e alma, ganhamos olhos de Raio X.

Diógenes no Barril
Diógenes sentado em seu barril cercado por cães. Pintura de Jean-Léon Gérôme de 1860.

E começamos a ver as pessoas por dentro. Além da máscara.

E quando vemos, no que as pessoas se transformam, vivendo no mundo da hipocrisia,

Temos imediatamente, o desejo de voltar para o barril.

Mas como aprendemos a ser mais do que nossas próprias vontades, sempre fico um pouco mais pra conversar sobre as verdades.

Sem querer … mas querendo. Não sei se dá pra entender … !?

Diógenes foi o exemplo vivo que perpetuou a indiferença cínica perante os valores da sociedade da qual fazia parte. Desprezava a opinião pública e parece ter vivido em uma pipa ou barril. Reza a lenda que seus únicos bens eram um alforje, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e autossuficiência perante o mundo), sendo ele conhecido também, talvez pejorativamente como kinos (origem da palavra cínico – do grego kynikos, a forma adjetiva de kynon, que significa cão), pela forma como vivia.

Diogenes e a lamparina
Diógenes, costumava andar pelas ruas da Pólis Grega com uma lamparina acesa, em plena luz do dia, dizendo aos outros, que estava a procura de um homem honesto na cidade.

cinismo foi uma corrente filosófica fundada por um discípulo de Sócrates, chamado Antístenes, e cujo maior nome foi Diógenes de Sínope, por volta de 400 a.C., que pregava essencialmente o desapego aos bens materiais e externos. O termo passou à posteridade como caraterização pejorativa de pessoas sem pudor, indiferentes ao sofrimento alheio (que em nada se assemelha a origem filosófica da palavra).

Esta atitude era parte de uma procura da independência pessoal. Alguns foram longe demais, rejeitando mesmo as decências básicas. Para poderem manter a compostura face à adversidade, reduziam as suas necessidades ao mínimo para garantir a sua autossuficiência. Mais do que uma teoria, era um modo de vida. 1 Para os Cínicos, a vida virtuosa consiste na independência, obtida através do domínio de desejos e necessidades, para encorajar as pessoas a renunciarem aos desejos criados pela civilização e pelas convenções. Os cínicos empreenderam uma cruzada de escárnio anti-social, na esperança de mostrar, pelo seu próprio exemplo, as frivolidades da vida social.

A temática do cão

Muitas anedotas sobre Diógenes referem-se ao seu comportamento semelhante ao de um cão, e seu elogio às virtudes dos cães. Não é sabido se o filósofo se considerava insultado pelo epíteto “canino” e fez dele uma virtude, ou se ele assumiu sozinho a temática do cão para si. Os modernos termos “cínico” e “cinismo” derivam da palavra grega “kynikos“, a forma adjetiva de “kynon“, que significa “cão”.Diógenes acreditava que os humanos viviam artificialmente de maneira hipócrita e poderiam ter proveito ao estudar o cão. Este animal é capaz de realizar as suas funções corporais naturais em público sem constrangimento, comerá qualquer coisa, e não fará estardalhaço sobre em que lugar dormir. Os cães, como qualquer animal, vivem o presente sem ansiedade e não possuem as pretensões da filosofia abstrata. Somando-se ainda a estas virtudes, estes animais aprendem instintivamente quem é amigo e quem é inimigo. Diferentemente dos humanos, que enganam e são enganados uns pelos outros, os cães reagem com honestidade frente à verdade.

A associação de Diógenes com os cães foi rememorada pelos Coríntios, que erigiram em sua memória um pilar sobre o qual descansa um cão entalhado em mármore de Paros.

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