Carta para Padre Beto

Bauru, 25 de janeiro de 2013 – 2:54 – 27º /

Padre BetoÉ com imenso prazer que inicio a categoria ‘correspondências’ no meu blog, escrevendo uma carta, ao estilo antigo dos grandes pensadores, para alguém, por quem eu tenho grande admiração. Enfim, é ótimo ter surgido essa ideia de categoria, em um momento em que eu gostaria de dizer coisas boas para alguém, já que nem sempre vai ser assim aqui.

Antes de mais nada, gostaria de agradecer toda sua disponibilidade ao nos atender na entrevista, e a grandeza de nos responder em todas questões que fizemos. Perguntado sobre aspectos importantíssimos da História do Catolicismo, o senhor respondeu com convicção e enorme sinceridade, todas as questões, e assim, ao meu ver, como sempre o faz, acaba por assumir um papel importantíssimo de aproximação de seus fiéis e da Madre Igreja.

Sempre quis conhecer um Padre contestador, e o senhor foi o primeiro verdadeiro, genuíno, autêntico dos pés à cabeça que eu conheci. E confesso que levei um susto, e não esperava por ele. Mas, a questão é bem mais complexa do que pode parecer. E eu explico com prazer.

Fui educado por freiras até os 8 anos, e depois por Padres até os 13. Logo, mesmo tendo me tornado um espírita, e antes disso, estudado Filosofia na Cidade Universitária da USP, eu ainda tenho uma moral extremamente católica. E isso é ótimo. Um gigantesca Benção. Mas essa moral, foi absolutamente machucada por anos de vícios, de alcoolismo e dependência química, e virou uma grande confusão de pensamentos, sentimentos e atitudes. O que sobrou, estou começando a reconhecer agora, depois de um bom tempo limpo, graças a Deus.

E antes de tudo isso acontecer, queria ser Padre. Conversava com todos eles bastante sobre como seria a minha vida, se me torna-se um. Contudo, minha veia contestadora, nunca foi muito bem-vinda. Minha tendência ao constante questionamento, ao invés de trabalhar a fé um pouco mais, era sempre mal vista. E eles estavam certos algumas vezes. Eu sabia ser bem chato quando queria. Pois bem … acabei por optar pela Filosofia ao invés do Seminário. E lá dentro, talvez tenha ficado uma certa mágoa inconsciente comigo mesmo pela opção, que acabou por traçar caminhos cheios de sofrimento na minha existência depois.

Em 2009, ao chegar em Bauru para me tratar, fui a uma Missa sua. E chorei. Ouvi um jovem Padre falando de política na Igreja, enquanto eu ainda buscava por redenção, e sabia que tinha um longo percurso pela frente … e de repente, tive aquele tipo de experiência mais sensitiva, e pude ver que uma mudança estava de fato acontecendo para mim. Enfim, foi muito marcante.

A partir dali, já li seus textos e comentários, com citações incríveis de filósofos e pensadores bastante ecléticos, se mostrando ser alguém, sempre com grande profundidade de análise. E por isso, claro, defende ideias tão modernas dentro da Igreja. Por isso virou um ídolo pra mim há algum tempo. Vejo no senhor, a coragem, a qualidade, e a verdade que gostaria de ter defendido se tivesse me tornado Padre.

Talvez tenha sido indelicado com você no facebook, em um comentário ou outro, acredito eu, porque ainda estava transitando por aquela zona, onde transformamos a inveja em admiração. E como estava voltando à vida cognitiva aos poucos, acabei passando muito tempo por lá. Mas já atravessei esse rio.

E por isso tudo, acredito que agora as coisas façam mais sentido, e alguns comportamentos meus possam ser entendidos.

Três anos depois daquela Missa, fui entrevistá-lo em um bar, sem beber, e nem ter tido vontade de beber, e tive a oportunidade de ter de você, as respostas que adoraria ouvir. Filmei, e coloquei a íntegra, em uma WEB TV que eu mesmo criei. Resumindo, foi bom demais. Tudo. Ter te conhecido, e ter ouvido tanta verdade espiritual junta, por um Padre que sabe enxergar seu papel social na Nação com quem trabalha, e sabe aplicar com propriedade a palavra do Cristo.

Parabéns por seus Serviços Padre Beto. Você é o Cara !

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