Sexta, 20 de julho

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  • Em 1994 o primeiro SPAM. Data de nascimento da contracultura. A internet começava de fato ali. E com ela, um monte de insegurança … pra variar !!!
  • finalizando o vídeo de divulgação do Projeto TV Educação ainda hoje. A página de apresentação já está pronto no Sampaio.biz – ficou genial. Uma porta enorme que precisava ser aberta. Precedente importantíssimo.

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/nao-e-mais-possivel-dizer-que-nao-sabiamos-diz-philip-low

Entrevista

“Não é mais possível dizer que não sabíamos”, diz Philip Low

Neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, e como essa descoberta pode impactar a sociedade

Marco Túlio Pires
Epilepsia: especialistas estimam que 2% da população brasileira tenha a doençaEstruturas do cérebro responsáveis pela produção da consciência são análogas em humanos e outros animais, dizem neurocientistas (Thinkstock)

O neurocientista canadense Philip Low ganhou destaque no noticiário científico depois deapresentar um projeto em parceria com o físico Stephen Hawking, de 70 anos. Low quer ajudar Hawking, que está completamente paralisado há 40 anos por causa de uma doença degenerativa, a se comunicar com a mente. Os resultados da pesquisa foram revelados no último sábado (7) em uma conferência em Cambridge. Contudo, o principal objetivo do encontro era outro. Nele, neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra.

Leia mais: Entenda o manifesto que afirma a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e até polvos

Divulgação

Philip LowPhilip Low: “Todos os mamíferos e pássaros têm consciência”

Low é pesquisador da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambos nos Estados Unidos. Ele e mais 25 pesquisadores entendem que as estruturas cerebrais que produzem a consciência em humanos também existem nos animais. “As áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais não são as que produzem a consciência”, diz Low, que concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:

Estudos sobre o comportamento animal já afirmam que vários animais possuem certo grau de consciência. O que a neurociência diz a respeito?Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência.

Leia mais: A íntegra, em inglês, do manifesto que afirma a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como polvos

Quais animais têm consciência? Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos.

É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos? Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.

Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência?Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica.

Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais? Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.

Qual é a ambição do manifesto? Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.

As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento? Acho que vou virar vegetariano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.

O que pode mudar com o impacto dessa descoberta? Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles.

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The Cambridge Declaration on Consciousness
*
On this day of July 7, 2012, a prominent international group of cognitive neuroscientists,
neuropharmacologists, neurophysiologists, neuroanatomists and computational neuroscientists
gathered at The University of Cambridge to reassess the neurobiological substrates of conscious
experience and related behaviors in human and non-human animals. While comparative research on
this topic is naturally hampered by the inability of non-human animals, and often humans, to clearly
and readily communicate about their internal states, the following observations can be stated
unequivocally:
 The field of Consciousness research is rapidly evolving. Abundant new techniques and strategies
for human and non-human animal research have been developed. Consequently, more data is
becoming readily available, and this calls for a periodic reevaluation of previously held
preconceptions in this field. Studies of non-human animals have shown that homologous brain
circuits correlated with conscious experience and perception can be selectively facilitated and
disrupted to assess whether they are in fact necessary for those experiences. Moreover, in
humans, new non-invasive techniques are readily available to survey the correlates of
consciousness.
 The neural substrates of emotions do not appear to be confined to cortical structures. In fact,
subcortical neural networks aroused during affective states in humans are also critically
important for generating emotional behaviors in animals. Artificial arousal of the same brain
regions generates corresponding behavior and feeling states in both humans and non-human
animals. Wherever in the brain one evokes instinctual emotional behaviors in non-human
animals, many of the ensuing behaviors are consistent with experienced feeling states, including
those internal states that are rewarding and punishing. Deep brain stimulation of these systems
in humans can also generate similar affective states. Systems associated with affect are
concentrated in subcortical regions where neural homologies abound. Young human and nonhuman animals without neocortices retain these brain-mind functions. Furthermore, neural
circuits supporting behavioral/electrophysiological states of attentiveness, sleep and decision
making appear to have arisen in evolution as early as the invertebrate radiation, being evident in
insects and cephalopod mollusks (e.g., octopus).
 Birds appear to offer, in their behavior, neurophysiology, and neuroanatomy a striking case of
parallel evolution of consciousness. Evidence of near human-like levels of consciousness has
been most dramatically observed in African grey parrots. Mammalian and avian emotional
networks and cognitive microcircuitries appear to be far more homologous than previously
thought. Moreover, certain species of birds have been found to exhibit neural sleep patterns
similar to those of mammals, including REM sleep and, as was demonstrated in zebra finches,
neurophysiological patterns, previously thought to require a mammalian neocortex. Magpies in particular have been shown to exhibit striking similarities to humans, great apes, dolphins, and
elephants in studies of mirror self-recognition.
 In humans, the effect of certain hallucinogens appears to be associated with a disruption in
cortical feedforward and feedback processing. Pharmacological interventions in non-human
animals with compounds known to affect conscious behavior in humans can lead to similar
perturbations in behavior in non-human animals. In humans, there is evidence to suggest that
awareness is correlated with cortical activity, which does not exclude possible contributions by
subcortical or early cortical processing, as in visual awareness. Evidence that human and nonhuman animal emotional feelings arise from homologous subcortical brain networks provide
compelling evidence for evolutionarily shared primal affective qualia.
We declare the following: “The absence of a neocortex does not appear to preclude an organism from
experiencing affective states. Convergent evidence indicates that non-human animals have the
neuroanatomical, neurochemical, and neurophysiological substrates of conscious states along with
the capacity to exhibit intentional behaviors. Consequently, the weight of evidence indicates that
humans are not unique in possessing the neurological substrates that generate consciousness. Nonhuman animals, including all mammals and birds, and many other creatures, including octopuses, also
possess these neurological substrates.”
* The Cambridge Declaration on Consciousness was written by Philip Low and edited by Jaak Panksepp, Diana Reiss, David Edelman, Bruno Van
Swinderen, Philip Low and Christof Koch. The Declaration was publicly proclaimed in Cambridge, UK, on July 7, 2012, at the Francis Crick
Memorial Conference on Consciousness in Human and non-Human Animals, at Churchill College, University of Cambridge, by Low, Edelman and
Koch. The Declaration was signed by the conference participants that very evening, in the presence of Stephen Hawking, in the Balfour Room at
the Hotel du Vin in Cambridge, UK. The signing ceremony was memorialized by CBS 60 Minutes.

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