Terça, 1 de maio

13:29 – 19º

“Deus fraco!”

Wellington Martins

Definitivamente, não existem ateus! Todos têm seus deuses. Isso é inevitável. Arriscaria dizer: é natural. É da essência humana o culto ao sobre-humano. O culto a um “altíssimo”. A veneração do herói. Deuses são adorados em templos religiosos, mas, de forma análoga, também são adorados em salas de cinema e livros de literatura. Vá assistir ao filme – que virou matéria de inúmeras críticas jornalísticas – “Os Vingadores” (2012). E enquanto assiste-o, olhe para os lados, repare na fisionomia religiosa, repare na devoção com que as pessoas vibram com seus heróis salvadores que estão dentro da tela. Não, não existem ateus!Nesse filme, o momento mais irônico ocorre após o vilão se autodeclarar deus. Pois, apesar desta declaração contundente do mal, lá está o nosso herói, nosso “deus verdadeiro”, para nos salvar da mentira que foi dita. O gigante verde, Hulk, ocupa-se de colocar o vilão no seu devido lugar, à base de pancadas. E, após fazê-lo, afirma: “Deus fraco!”. Quando você for assistir a esse filme, repare bem nessa cena. Pois boa parte dos que estarão na sala de cinema com você irá rir bastante! Irá rir porque achará na fala “deus fraco” algo de transcendental. Porque a afirmação não revela apenas uma humanidade frágil do vilão, que acabou tomando uma surra. A afirmação revela a sobre-humanidade do nosso herói, comprovando sua divindade. E nós, todos nós, de alguma forma, nos identificamos com essa grandeza. E, por isso a louvamos, compartilhamos dela e rimos felizes e satisfeitos com a cena.

O polêmico filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que se dizia ateu, criou um conceito denominado “além-homem” (Übermensch, em alemão). Sua ideia básica é a defesa de uma evolução humana. Um progresso moral, filosófico e espiritual. Ou seja, tal como nós, homens comuns e atuais, viemos de animais próximos aos macacos, o Übermensch decorrerá de nós e será o próximo passo evolutivo. Assim defendia o pensador Nietzsche. Que, apesar de ateu, mostrava aí, no seu “além-homem”, o deus que ele venerava, o objeto de seu culto.

Nós criamos deuses! Por isso o ateísmo é uma ideia equivocada, que não encontra referências na realidade. O ser humano é um crente. É um ser transcendental, que não se satisfaz apenas com esta realidade física. Por isso, cria metafísicas! Cria outros mundos com deuses grandiosos, isto é, heróis. Heróis que possam nos salvar, nos defender desta vida de que somos prisioneiros. Veja o Catolicismo, por exemplo. A Igreja Católica canoniza seus heróis, chama-os de ‘santos’. Mas a política, mesmo a mais ateia, também faz isso. Alguém nega que Che Guevara seja adorado e seguido? E Mahatma Gandhi? Não é ele o nosso herói da moralidade? Sim, nós criamos deuses! Divinizamos pessoas, objetos, ideias. Escolhemos certos espaços e tempos e os sacralizamos.

O filme citado lá no início, “Os Vingadores”, é do diretor Joss Whedon. Que gastou mais de meio bilhão de reais (eu disse meio bilhão de reais!) para juntar alguns de nossos grandes deuses do cinema: Thor, Capitão América, Homem de Ferro, Hulk entre outros. Com tantos heróis consagrados juntos, não poderia ser diferente. Esse filme é um fenômeno catártico! Gera uma profunda comoção na plateia. Êxtase espiritual, tão similar ao sentido em nossas igrejas.

Sim, nós precisamos de heróis! Veja como chamamos nossas grandes referências do futebol brasileiro: Ronaldo é o “Fenômeno”, Adriano é o “Imperador”, Pelé é o “Rei”. Nós exaltamos pessoas para muito além de suas possibilidades. Idealizamos sem medo algum! Pois precisamos disso. Buscamos a isso. Então, se Deus existe de verdade ou não, se o ateísmo é uma mentira ou não, se um dia a Terra terá uma equipe de vingadores como no filme ou não, se Che Guevara e Gandhi merecem mesmo toda a atenção que damos ou não, se chegaremos ao Übermensch de Nietzsche ou não, isso tudo é duvidoso. É muito questionável! Agora, que é da essência humana o culto ao sobre-humano, ao heríi, ao deus criado, isso ninguém de nenhuma forma poderá negar.

O autor, professor Wellington Martins, é docente universitário; mestrando em Filosofia (ética e política), pela PUC/SP; graduado em Filosofia (licenciatura plena), pela USC-Bauru / am.wellington@hotmail.com

Deus

Deus da resposta, da proteção e da providência,

Deus forte, Deus fraco, anti-Deus da violência,

Deus herói, heroína – Poder Superior.

Desde o primeiro respirar no planeta,

Sentimos sua necessidade, e por isso sua existência,

Não podemos vê-lo, e às vezes nem entendê-lo,

Mas toda hora o sentimos, e com Ele brincamos de obediência

Sem consciência, usamos nossa consciência pra

conversar com Ele.

Até os mais ateus sempre fazem isso nas horas difíceis,

Ficam implorando pra o lugar de onde vêm as ideias,

pra que uma ocorra alguma salvadora.

E quando a situação está insustentável, chegam inclusive,

a soltar um – meu Deus !!! para si mesmos.

Mesmo não tendo adotado um, nem o maior dos ateus

é órfão nessas horas.

Quando se trata da nossa vida, e quando nossos pais não são mais suficientes

para o momento, então descobrimos Deus.

Ele está na escolha que fazemos para comer.

Na roupa que vestimos.

Nos filmes que preferimos e

principalmente, nas pessoas que elegemos como amigas.

Deus está distribuído em nosso dia a dia, de várias maneiras diferentes.

Culturalmente caracterizado nas mais diversas formas,

Línguas e princípios.

Mas todos buscam Nele, ou Nela, as mesmas coisas:

Segurança, confiança, melhora … entendimento.

Procuramos em Deus, tudo o que não podemos ser

dentro de nossa limitada condição humana.

Já chegamos à Lua, e continuamos procurando …

Muitos Homens e Mulheres iluminados já desceram à Terra,

para nos trazer pistas sobre sua identidade.

E um deles, que reconhecidamente, foi um

dos ungidos, foi um dos Cristos, disse:

Parem de olhar pra fora. O Reino de Deus está dentro de nós.

Quando pensamos nessas palavras de Jesus, logo pensamos:

No coração, no estômago, fígado … afinal, Ele disse que estava dentro de nós não é ?

Pois bem … não são nesses órgãos apenas que podemos encontrar Deus.

Mas principalmente nos olhos – quando os fechamos. E quando nos concentramos.

E só ato de elevar o espírito inteligente que Ele surgi.

Na batalha pelos bons pensamentos.

No domínio e controle das nossas vontades.

Na compaixão que já deveríamos ter em relação àquele irmão que sofre,

fora do nosso próprio corpo físico.

Na atitude de participarmos desse mundo para que viemos,

e de poder ser útil à Humanidade e sua Casa.

No respeito por tudo o que é vivo, e que tem a marca

inconfundível de nosso Criador – o Amor.

Assim Seja.

Paul Sampaio

Bauru, 1 de Maio de 2012 – 12:59 – temp. 18º

5:29 – 13º

/ A data do 1º de maio foi escolhida em virtude de uma greve geral, ocorrida nesse dia em 1886, em Chicago, nos EUA /

2:55 – 14º

/ o mais frio até hoje nas anotações diárias

/ gostei do logo do baurunet /

0:30 – 16º

/ frio em Bauru

/ o guia está praticamente pronto em ambos os espaços

/ hoje é um dia pra ralar legal

/ pra começar a revista finalmente

/ mais uma semana ?

/ primeiro vamos acabar a revista ,,, /

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