Um imenso sol amarelo brilhava antes de ela chegar.
A cor era o azul claro. Mas mudou.
As primeiras gotas faziam subir do chão de asfalto, o mormaço da cidade de concreto.
O paraíso da individualidade e do futuro incerto.
Onde o sentimento é como se sempre tivéssemos alguma coisa por fazer.
Onde nada nunca está pronto. Onde o pôr-vir é sempre a palavra de ordem.
A chuva porém, nos faz parar de alguma forma, e em algum lugar, seja debaixo do toldo de uma mercearia, ou pela janela de casa, do carro, do trabalho, do ônibus … simplesmente paramos por pelo menos um segundo … e nessa hora transcendemos.
E a chuva limpa as memórias, as histórias todas de uma vida, para dar lugar à imensidão do sonhar.
E pensamos sobre uma vida diferente. Mais parecida com a daqueles que mais admiramos, ou daquelas que mais amamos, e de repente, nos sentimos reenergizados novamente.
Mais uma vez, sonhamos acordados, e conseguimos ver dias ainda melhores.

Afinal, só por estar vivendo a experiência em vida carnal, da chuva molhando a rua, já é um dos grandes momentos que podemos ter na Terra.
Que o sonhos chovam então.
domingo, 27 de dezembro de 2015
Paul Sampaio – 14:01 – 25º C


